19/08/2013

Minha primeira vez caronando na Europa

Esse fds estive em Copenhague para um campeonato de caroneiros. Fui e voltei de lá pedindo carona, mas durante o campeonato me saí tão mal que ganhei um prêmio por ter conseguido a proeza de não conseguir pegar sequer uma carona. Então hoje vou contar um pouco sobre isso, o tanto que caminhei em Copenhague, peguei metrô sem pagar, acampei com os caroneiros que participaram do evento (maioria gringo de outros países europeus) e tive uma experiência que (finalmente) me fez sentir dinamarquês como uma língua necessária.



Primeiro dia: caronando de Odense até Copenhague


Começando por sexta-feira, que saí de Odense pedindo carona com a Klaudia, uma polaca que havia publicado no grupo local do CouchSurfing que queria uma companhia pra ir pra Copenhague (capital aqui da Dinamarca) pedindo carona. Não nos conhecíamos ainda, e nos encontramos na "estátua estranha", no centro da cidade. Decidimos pegar o ônibus até a saída da cidade. Haviam me indicado ir pra lá e pedir carona na estrada de acesso à rodovia nacional, pq pedir carona na rodovia nacional é proibido. Só que nem me lembrei disso, e fomos caminhando pedir carona na tal rodovia. hahah

Povo passava a mil por hora, cheguei a pensar que seria foda de conseguir carona. Mas deu certo, 10min depois e um carro com dois homens parou. Ambos falavam inglês. Nos levaram até Slagelse (só sei que se escreve assim pq pedi pra soletrarem pra eu anotar hahah), e ficamos numa rotatória na entrada da cidade pedindo carona.


Pedindo carona na ilha Zealand, na cidade de Slagels, Dinamarca.


Tava meio difícil conseguir carona aí, até pq basicamente não tinha onde o povo parar. Eu tava querendo caminhar pra rodovia mas a polaca não queria, por medo da polícia passar e tomarmos multa (multa de 750 coroas dinamarquesas, o que atualmente dá cerca de 320 reais - 3 vezes o preço a passagem de trem nesse trajeto de Odense até Copenhague). Uns 50min depois pegamos uma carona com uma alemã que vive aqui na Dinamarca há algumas décadas. Ela nos levou nos últimos 90km que faltava pra chegarmos a Copenhague.


165km percorridos pedindo carona nessa minha primeira vez de dedão na Europa. De Odense para Copenhague, Dinamarca. Veja mapa completo.







Segundo dia: pegando trem sem pagar, roubando maçãs e ganhando prêmio no campeonato.. por ser o mais looser


No segundo dia, sábado, era dia do campeonato de caroneiros. Massa demais isso, né? Eu e outros caroneiros no Brasil vínhamos especulando de fazer um campeonato de carona no Brasil há anos, mas nunca conseguimos organizar isso já que era impossível ter um feriado nacional grande o suficiente pra que todos os caroneiros (do norte, do sul, do leste e do oeste) conseguissem chegar numa cidade em comum caronando. Quando vi (antes mesmo de vir pra cá) que aqui na Dinamarca ia rolar um campeonato desses, fiquei super empolgado e já confirmei minha presença naquele dia mesmo. Hoje eu já me dei conta de que pra algo assim funcionar no Brasil, a galera tem que fazer por estado ou no máximo por região, por conta do país ser tão gigante. Assim, a galera do sul fica mais de boa pra participar de um campeonato no sul, por exemplo. E aqueles do sul que quiserem se aventurar num campeonato que for rolar no norte, pode se virar até com avião - caso não tenha tempo mas tenha grana pra isso. hahahah Mas enfim, vamos voltar ao assunto, né? :P


Rota do Campeonato de caronas. Na verdade o ponto de saída era Copenhague, daí tínhamos que descer caronando pro ponto A, depois voltar subindo e seguir pro B, C e finalmente nos encontrarmos no D pra acamparmos. Veja mapa completo.

De sábado pra sexta eu dormi na casa do organizador do evento. Eu fui pra Copenhague mesmo sem ter um lugar pra me hospedar. Só que antes de sair de casa eu havia postado na página do evento que eu tava sem hospedagem e deixei meu celular, aí o organizador do grupo foi um dos que quiseram me abrigar mesmo assim de última hora, e me enviaram SMS enquanto eu tava na estrada. Cheguei a Copenhague e cruzei uns 4km caminhando pela região central pra chegar no parque onde ia encontrar o cara que ia me hospedar (claro que eu podia ter pego ônibus, só não quis pq ia gastar dinheiro e pq ia só servir pra eu perder essa primeira oportunidade de conhecer algumas ruas da cidade). E lógico, eu tava achando tudo bem diferente. Parques gigantes e lindíssimos com várias pessoas fazendo picnic, e quase tudo as casas parecem castelos. huashaushasuh

Na manhã de sábado, então, nos encontramos todos que iríamos participar do evento. Debaixo de chuva, no centro da cidade. Ao contrário do que eu acho que aconteceria num evento desses na América do Sul, metade dos participantes eram mulheres. Escrevemos números em papeiszinhos e cada um pegou um papelzinho pra descobrir quem seria sua dupla. Foi assim que eu separei a turca Dora de sua amiga (também turca), que queriam pegar estrada juntas. hahah

[só um break aqui pra eu contar uma coisa hilária..] Ainda quando estávamos aí no centro, vem de lá um taiuanês correndo pra falar comigo.

- Hey! Are you the guy from the movie?

Eu:

- What? Which movie?

Ele:

- That one.. about the ring..

Sim, dessa vez não tinham se aproximado de mim pra dizerem que eu pareço com o Frodo mas estavam achando MESMO que eu era o próprio ator do filme. kkkkkkk Infelizmente eu respondi que não. E digo infelizmente porque depois eu fiquei me perguntando qual seria a continuação da história se eu tivesse dito que sim, que eu era o próprio Elijah Wood usando lentes castanhas nos olhos. rs [/fim do break pra historinha]




Todo mundo saiu de dentro do centro da cidade pegando carona, só eu e minha parceira e mais outra dupla é que pegamos trem pra saída da cidade. Fiz isso pq Dora já tinha pego carona num ponto específico, então acreditamos que daria certo e fomos pedir carona no mesmo lugar que ela tinha pedido da outra vez [pra quem for mais curioso veja aqui o ponto onde estavamos pedindo carona, bem aí nessa placa que aparece]. Mas foi um fracasso. Ficamos lá horas pedindo carona, e só a outra dupla que conseguiu. Eu e Dora caminhamos pela beira da pista onde era proibido caminhar, pedimos carona onde é proibido, pedimos carona também onde é permitido, e em nenhum desses lugares, durante umas 3 ou 4 horas, ninguém parou pra dar carona. Até que ali, na beira da estrada, a gente resolveu desistir e voltar pra Copenhague.

No caminho tinha um pé de maçãs, e acho que foi a primeira vez que eu vi um pé de maçã na minha vida. Roubei um bocado delas, pq estavam ótimas. hahah


Notícia nos jornais "Brasileiro é preso na Europa por roubar maçãs em macieira dosotro.", "Nego sai do Brasil mas o Brasil não sai dele."


Decidimos pegar o metrô de volta pra Copenhague sem pagar, correndo risco de algum fiscal vir pedir nosso bilhete e a gente tomar uma multa alta por não ter um. Mas não deu nada. Reencontramos com a outra dupla que havia pego estrada junto com a gente. Elas haviam decidido voltar pra Copenhague invés de passar pela primeira cidade-destino do campeonato, já que apesar delas terem conseguido uma carona (e a gente não), a situação também não tava assim tão fácil nem pra elas. rsrs Mas daí elas tavam voltando pq ia pegar caminho direto pra segunda cidade-destino do campeonato.

Aí, ao nos reencontrarmos com a outra dupla, eu e Dora decidimos trocar de dupla e mudar o plano de desistir totalmente de caronar naquele dia. Assim Dora se juntou com sua amiga, como esperava que fosse no início, e eu me juntei com uma peruana. Daí pra frente mudou o idioma de inglês pra espanhol, já que por eu falar espanhol ela queria aproveitar pra poder falar sua própria língua. hahah

Pero, con la chica de Peru fue igual, un fracaso. Também não conseguíamos carona nós dois juntos. Na verdade nem tentamos muito, pq todo lugar tinha essas placas de proibido parar [é uma placa azul com um X vermelho no meio, eu não tenho tanta certeza que era placa de proibição de parar, mas foi o que outros estrangeiros me disseram]. Acabei sugerindo pra gente ir pra praia, enquanto minha nova parceira ficava tentando me convencer a pegar um trem e irmos pra próxima cidade-destino, e de lá tentarmos carona. Mas nah, eu já tava morto de caminhar, de pegar chuva e ninguém parar. Preferi ficarmos na beira da praia descansando, vendo as crianças e adultos dinamarqueses felizes nadando naquela água fria enquanto a gente tremia de frio só com o vento.


Um dos lugares à beira da praia onde paramos pra descansar enquanto caminhávamos vários quilômetros pelo litoral leste da ilha de Zealand, rumo ao local do camping.


Deu a noite, e fomos caminhar pro acampamento. Aí que demos conta que estávamos simplesmente a uns 4 km de lá. Bora caminhar mais, né? 50minutos depois estávamos nós chegando no local de encontro. E coincidentemente AO MESMO TEMPO dois carros estavam parando na beira da rua e deixando duas duplas. Uns 5 minutos depois outro carro parando e deixando outra dupla. E assim estávamos lá, basicamente todos empolgados se divertindo e contando suas aventuras. E claro, rindo da minha cara que não fui capaz de conseguir nem uma carona. Porque até a Dora depois conseguiu umas caronas com sua amiga.

O local do camping era gratuito e já tinha toda uma infraestrutura preparada pra camping [clica aqui pra ver a entrada do camping, apesar de que não dá pra ver muita coisa na verdade]. Com banheiro, lugar pra fogueira e até uns abrigos. A gente se enfiou nos abrigos com nossos sacos de dormir. Os abrigos tinham chão de madeira (graças a Jah, se não eu ia congelar né). Mas antes, acendemos uma fogueira e ficamos lá até altas horas da madrugada fazendo piadas e conversando. Cada um com seu nível de inglês, desde nível fluente até nível desses que se embolam em cada duas palavras que falam. E tinha eu, que nem sempre entendia o que tinham dito mas ria fingindo que tava entendendo tudo. huashuahs

Aqueles que conseguiram: passar por todas as cidades do campeonato, tirar fotos em todos os pontos combinados e chegar primeiro no ponto final combinado, ganharam uns prêmios (simbólicos apenas, como caneta pra poder fazer placa pra pedir carona e não lembro mais o quê). E também decidiram que eu merecia um prêmio por eu ter sido tão looser que não consegui nem ao menos uma carona. haushuahs Ganhei um pacotim de biscoito. :-D





Dia de voltar pra casa: carona num caminhão vindo da Suécia e a primeira vez que achei utilidade em saber falar dinamarquês


Domingo e terceiro dia: acordamos e ficamos lá conversando durante umas boas horas durante a manhã no acampamento.

Local do camping, na manhã de domingo.

Manhã de domingo. O abrigo onde dormimos é esse aí, e o teto é grama olha que massa :) Aquele grupo lá no fundo é uma parte dos que participaram do campeonato.


Alguns já começaram a ir embora. Mas nós que ficamos ainda fomos pra um restaurante na beira da praia, pq umas meninas queriam tomar uma café. Uma italiana e os únicos dois dinamarqueses que estavam no campeonato ainda se jogaram no mar. Eu como ia ter que caronar o dia inteiro nem quis arriscar entrar naquela água gelada. Não por estar gelada exatamente, mas porque eu ia ficar todo pregando de sal durante todo o dia caronando pra voltar pra Odense.

O caminho do camping até o centro de Copenhague eu mas três pessoas resolvemos voltar pedindo carona. Nos separamos em duas duplas, mas aí eu e minha dupla conseguimos uma carona num carro vazio, e convencemos o motorista a pegar a outra dupla que tinha seguido caminhando pela rua pra pedir carona quando achassem algum outro lugar que não tivesse placa proibindo os carros de pararem. Assim fomos os quatro até algum ponto dentro de Copenhague.

Umas duas horas depois eu tava no centro de Copenhague encontrando novamente a Klaudia pra voltarmos pra Odense. Eram umas 4:30 da tarde, e pra sacanear a gente tava rolando algum tipo de competição de corrida dentro nas ruas do centro da cidade. Foi uma luta a gente conseguir descobrir um jeito de chegar no lugar que tínhamos que ir pra pedir carona, já que toda rua que a gente pegava orientados pelo GPS a gente dava de cara com alguma rua fechada pro campeonato. No fim, chegamos no ponto que queríamos, que era dentro da cidade mesmo, mas que dava pros carros pararem.

Ficamos ali talvez 1 hora e ninguém parava. Até que resolvi sentar no canto da rua e deixar só a Klaudia pedindo carona pra ver se ajudava. Pouco tempo chega um cara olhando pra mim e pra ela, e grita pra ela perguntando se ela tava sozinha. Ele tava com crianças, provavelmente ia dar carona mas só tinha um lugar, aí não rolou. Mas então ela continuou lá, e finalmente uns 10min depois um carro parou pra levar-nos.

Era um carrão, o cara também com duas crianças no carro. Aqui na Dinamarca tenho notado que os pais são muito mais presentes na vida das suas crianças do quê no Brasil. Aqui é super comum ver só o pai com seu(s) filho(s) passeando por algum lugar, fazendo alguma coisa.

O cara nos deixou uns 30km de Copenhague, também numa estrada onde não era proibido pedir carona porque era dessas que dão acesso à rodovia. Eu e Klaudia tínhamos acabado de comentar como seria legal conseguir carona em um caminhão na Dinamarca, e nos separamos - ela ficando na rodovia pedindo carona e eu na estrada de acesso. Nem 10 minutos e pararam pra ela na rodovia. ERA UM CAMINHÃO! :D

Um caminhoneiro sueco, que falava muuuito pouco inglês. Aí foi a primeiríssima vez, nessas 3 semanas que estou na Dinamarca, que eu senti falta de não saber falar sequer uma palavra de dinamarquês. Digo isso porque eu queria muito poder conversar com o caminhoneiro, saber um pouco mais da vida dele que viaja sempre pelos países da europa pra levar coisas entre as cidade, e dinamarquês é muito parecido com suéco então daria pra misturar dinamarquês com inglês pra gente poder se comunicar melhor. Terminei mais motivado em aprender dinamarquês pelo menos, já que não tem como ser muito motivado nem morando aqui porque todo mundo - mesmo se você tentar falar dinamarquês com eles - te responde em inglês. E pra falar a verdade, essa foi a única carona que me deixou feliz de fato em todas essas caronas que peguei desde sexta. Porque sei lá, o caminhoneiro me parecia mais legal e mais aberto pra conversamos uns sobre os outros - ou vai ver era só eu que tinha me empolgado mais com ele do quê com os outros motoristas "comuns" mesmo..


Eu, Klaudia e o caminhoneiro. Brasileiro, polaca e suéco - na Dinamarca. rsrs




O louco do caminhoneiro entrou alguns quilômetros pra dentro de Odense só pra deixar a gente num ponto de ônibus, e aí virou seu caminhão super na loucura dando um 360 no meio de uma rua só pra poder voltar e pegar a rodovia de novo. kkkkk

Valeu muito ele ter levado a gente até ali, mas deixar no ponto de ônibus não foi exatamente útil, pq a gente foi caminhando e caronando até conseguir uma carona uns 5 minutos depois com um cara que nos trouxe até o centro da cidade (tipo do lado da minha casa).


[logo quando eu tiver tempo eu edito os vídeos e coloco legenda pro cês. se alguém aí quiser colaborar com traduções desse texto aqui ou mesmo traduzindo o vídeo, eu e um monte de gente agradesceríamos imensamente ^^ coloco os devidos créditos a vc como tradutor.]


Besos.

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