terça-feira, 17 de maio de 2016

Minha passagem de carona pelos estados RJ e SP, e 2 semanas vivendo numa mata

Cinco meses já se passaram desde que "voltei" ao Brasil. Desde dezembro (quando aterrizei em Belo Horizonte, MG) até hoje, passei 3 meses rodando pelo interior de Minas Gerais pedindo caronas, como contei num post anterior. No post de hoje vim falar um pouco dos meus últimos 2 meses, os quais passei caronando pelo interior do estado do Rio de Janeiro, voltei à Minas Gerais pra passar 2 semanas acampado numa mata, e segui viagem rumo ao estado de Sāo Paulo.

Nesse tempo peguei caronas tão inusitadas quanto as que peguei nos meses anteriores, se nāo ainda mais loucas. Caronar pelo interior do Brasil pode ser a coisa mais divertida do mundo pra quem curte pegar caronas de maneiras nāo muito convencionais. Andei numa moto sem capacete com uma amiga no meio e o piloto bêbado (vídeo), peguei carona com um "viking" em pé na carroceria de um caminhāo (vídeo), eu e mais 3 nos ajeitamos na carroceira de uma saveiro fechada (vídeo), etc. Num dia aleatório um grupo de amigos chegou a pegar carona em cima do teto de um ônibus (literalmente), mas eu nāo cheguei a subir lá com eles quis ir à pé curtindo a paisagem do lugar lentamente, mas minha mochila pegou carona lá em cima com eles. rsrs

Outra coisa diferente que fiz nesse tempo foi passar 2 semanas na caótica capital do Rio de Janeiro, e posteriormente passar 2 semanas acampado no meio de uma mata. Foram programas extremamente opostos, eu sei, e eu acho que no fim das contas o que mais gostei foi viver no mato.

Era o "Encontro Arcoíris" (ou Rainbow Gathering), um evento tipo o Woodstock (pra quem já ouviu falar do Woodstock) que acontece no mundo inteiro. Essa versāo brasileira do evento durou 1 mês, o período de um cíclo completo da troca de lua. Aconteceu no mês passado na cidade de Bocaina de Minas, Minas Gerais. Estavam lá pessoas de diversas tribos, credos, hábitos, nacionalidades, etc. Eu me senti fora do Brasil, e encontrei muita paz indo pra um evento onde eu nāo conhecia ninguém, tomava água de nascente, tomava banho de cachoeira, lavava minhas roupas com cinzas no rio, nāo comia carne, nadava nu com várias outras pessoas em cachoeiras, acampava numa mata, e explorava lindas paisagens da maravilhosa Serra da Mantiqueira. Aprendi muito, foi tudo muito diferente, e pra nossa felicidade eu cheguei a gravar um vídeo-diário contando como foram esses dias (porque se nāo eu já teria me esquecido de quase tudo, com a memória péssima que tenho) e disponibilizei neste link no Youtube, pra quem quiser conferir.

Em algum momento eu resolvi ir embora do evento por conta própria, e no estilo Leo de sempre, montei minha barraca, fiz minha mochila e parti à francesa. Mas nāo adiantou muito sair à francesa, já que eu cheguei no arraial de Santo Antônio (onde todo mundo que saía do evento chegava antes de ir pra qualquer outro lugar), e fui convidado pela dona de um café a passar a semana trabalhando lá ajudando-a com o fluxo atípico da galera que vinha do evento. A dona do café me ofereceu, em troca da minha ajuda, "hospedagem, comida e roupa lavada" durante aquela semana. Mas na verdade ganhei muito mais do quê isso. Ganhei dias deliciosos tendo mais sensaçāo de que eu estava me divertindo do que estava trabalhando (embora trabalhávamos basicamente de 7 da manhā até umas 18 horas). Ganhei momentos felizes, pude conhecer novas pessoas e rever outras pessoas que já havia conhecido nos dias anteriores lá no evento. Conheci outras pessoas que vivem no arraial, que é um lugar tāo cheio de paz onde vivem apenas 500 pessoas. E por fim, ganhei uma nova e queridíssima amiga: Maya, a dona do café.


Depois de passar essa uma semana vivendo no arraial de Santo Antônio e trabalhando com a Maya, nós (Maya e eu) resolvemos fazer uma viagenzinha juntos em seu fusquinha pra um festival de pinhāo (uma semente comestível, típica da regiāo) numa cidadezinha chamada Visconde de Mauá, RJ. Lá encontramos um tanto de "hippies" (como brincava o viking) que estavam antes do Encontro Arcoíris, e com eles nos divertimos muito e vivemos momentos de muita paz e amor.   

Agora chega de texto, vamos à lista de lugares onde estive em ordem cronológica, seguindo aquela minha organizaçāo dos meses anteriores. Junto coloco links pra fotos e vídeos que publiquei sobre minha passagem por essas cidades, nos três estados brasileiros por onde andei passando: Minas Gerais, Rio de Janeiro e Sāo Paulo.


segunda-feira, 11 de abril de 2016

9 dias pedindo carona pela Dinamarca / Hitchhiking across Denmark in 9 days

Como descrevi num post há mais de um ano aqui no blog, no feriado de páscoa de 2015 eu fiz um mochilão pedindo carona de um canto a outro da Dinamarca. Foram 9 dias indo de sul a norte, oeste a leste, e com direito a pegar carona até em barco.

Hoje finalmente publiquei um vídeo compilaçāo daquela viagem. O vídeo foi dividido em duas partes, pra nāo ficar tāo longo. Você pode conferir ambas as partes na playlist abaixo, caso deseje. :)


As I described in here some time ago, during Easter holidays in 2015 I've done a backpacking trip by hitchhiking from corner to corner of Denmark. It was 9 days in total going from South to North, from West to East, and during this trip I even got a ride for free on a ferry.

I've just uploaded to youtube a video compilation of that trip. I've split it into 2 parts so that they're not too long. You may check both parts in the playlist below, if you wish to do so. :)

domingo, 27 de março de 2016

Por onde eu tenho pedido caronas / Catch up with my last hitchhiking trips

Estive pedindo carona, acampando e me hospedando na casa de pessoas conhecidas ou desconhecidas por Minas Gerais desde Dezembro, quando voltei da Dinamarca. Acabei de chegar à capital do Rio de Janeiro, e daqui continuarei viajando no mesmo esquema explorando o interior do estado do Rio de Janeiro.

Foram várias caronas de caminhão, saveiro, caminhonete, kombi, van, carros comuns, ônibus de trabalhadores, e até trator. Minha cara e minhas viagens foram mencionadas numas mídias impressas e em vídeo pelo interior de Minas Gerais. Eu acampei em locais público no centro de algumas cidades pela primeira vez na vida (essa é a primeira vez que eu viajo levando uma barraca comigo).

Se você curte as histórias/fotos/vídeos que faço pra aqueles que querem acompanhar o que vai acontecendo pelas estradas e se vc ficou meio perdido ultimamente, aproveite pra ver esse vídeo mostrando a rota que fiz até chegar aqui. Abaixo tem alguns links pra posts, vídeos e fotos em cada cidade onde passei, assim como as datas de quando estive nelas. É, minhas viagens tem sido feitas bem lentamente - não tenho pressa de nada, não tenho data para fazer ou estar em lugar nenhum - o relógio e esse mundo são meus. :) ♥ ☮



Animação feita com Animaps.
I've been hitchhiking, camping and staying at places of people I knew from before as well as at places of people I never talked to before around the state of Minas Gerais, in Brazil, since December when I got back from Denmark. I just arrived in the capital of Rio de Janeiro, and from here I'll continue traveling the same way but now exploring the country of the state of Rio de Janeiro.

I've hitched several trucks, barge, kombi, van, normal cars, bus of workers, and even tractor. My face and my travels were mentioned in some printed media as well as visual media in the countryside of the state of Minas Gerais. I camped in public places in the center of some cities for the first time in my life (this is the first time I travel bringing a tent along).

If you enjoy the stories / photos / videos that I publish for those who want to keep track of what I'm living on the roads and if you got a little lost lately, you might be able to catch up a bit with this video showing the routes I've taken til I get here. Below you also find some links to posts, videos and photos in every city I've visited, as well as dates of when I was there. Yeah, I'm doing my trips slowly - I got no reason to rush, I have no schedules nor deadlines to do anything or to be anywhere - the clock and this world are mine. :) ♥ ☮



Animation made with Animaps.

Encontro sudestino de Caroneiros de beira de estrada / Hitchgathering in Southeast Brazil

19 de Março fizemos o primeiro encontro aberto de caroneiros de beira de estrada. Aconteceu em um sítio próximo a São Thomé das Letras, Minas Gerais.
On the 19th of March we've organized our first open gathering of hitchhikers. It happened in a small farm close to the mystical town of São Thomé das Letras, in the state of Minas Gerais - Brazil.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Explorando a cidade de Tiradentes: pedindo carona dentro da cidade e acampando ao lado de uma capela no centro

Acabei de acordar sozinho numa cama de casal, numa casa vazia com uma vista bonita da Serra de São José. Estou em Prados, MG. Os últimos 4 dias foram cheios de pequenos acontecimentos não-planejados. Esses acontecimentos foram se conectando, e até o momento eles se resumem em dormir em um camping pago, deixar meu notebook e roupas com pessoas desconhecidas, acampar no meio de uma cidade(!) em uma noite e em ganhar uma carona até uma cidade vizinha pra na outra noite dormir sozinho nesse lugar onde acordei hoje.

Tudo começa em Belo Horizonte, MG

Dia 10 de Março eu estava acordando em Belo Horizonte, e logo preparava minha mochila pra partir. Depois de passar umas 3 semanas em BH, finalmente meu passaporte e RG novos saíram e estou livre pra pegar estrada rumo ao que o acaso me trouxer novamente. 3 caronas e eu estava descendo em Tiradentes, MG, pela primeira vez na vida.

As caronas do caminho interessam, né? 

A primeira foi com um casal que era um doce, e corruptos também. O homem demonstrou chateação ao ver árvores sendo cortadas por um grande trecho da rodovia, e a mulher foi imediatamente gentil me oferecendo da sua garrafa de água ao passarmos por uma nascente e eu brincar que estava com cede. A parte corrupta foi ao passarmos por um pedágio, quando eles juntos pediram a um caminhoneiro que dirigia um caminhão similar pra guardar o recibo do valor que pagaria ao pedágio. A intenção deles era pedir o reembolso à empresa pra qual traziam a carga do valor que estava no recibo do outro caminhoneiro, já que o do valor daquele recibo era maior que o valor que eles pagaram. Assim eles “lucrariam” uns reais a mais.

A segunda carona foi com um caminhoneiro que a princípio se comportou meio estranho. Enquanto eu ainda entrava no caminhão, ele me apressou dizendo “Vamos que já estou atrasado!”. Em seguida, enquanto eu mexia no meu celular, ele achou que eu estava mandando uma mensagem pra alguém e se intrigou - “Pra quem você mandou aquela mensagem?!”. Olhei pra cara dele sem entender a pergunta (porque nem tinha como eu estar mandando mensagem a ninguém se não tenho um chip no meu celular), e mostrei pra ele o que estava fazendo: olhando um mapa. Posteriormente ele me contou que estava assim suspeito por causa da clássica história de a pessoa pegar uma carona, enviar uma mensagem pros seus comparsas informando características do caminhão que estava, e armarem uma emboscada pra roubarem a carga alguns quilômetros à frente. Mas, felizmente eu não estava ali pra roubar a carga dele e ele por fim me deu uma carona até um ponto de ônibus dentro da cidade de São João del Rei, de onde ele me disse pra pegar um transporte baratinho até Tiradentes.

A terceira carona foi com um boliviano(!). Lógico que eu não ia pegar um ônibus se eu podia pedir carona, e essa carona parou antes mesmo de qualquer ônibus vir. O imigrante boliviano mora no Brasil há 25 anos, e achei interessante o fato de eu ter que repetir alguma frase ou outra pra ele, porque ele não havia me entendido. Entendo que eu atualmente devo ter um sotaque bem diferente devido ao fato de eu conviver com pessoas com sotaques diferentes e por eu ter vivido fora do país um tempo também, mas como ele vive no Brasil há 25 anos eu fiquei surpreso dele não entender tudo de primeira ainda. Mas enfim, ele dirigia um carro bem velho com teto solar que parecia ter trago da Bolívia. Contei pra ele que já estive viajando pelo país dele também, e tentei ouvir bastante sobre sua vida no Brasil nesses poucos minutos que eu tive de carona com ele até chegar a Tiradentes. Ele disse que adorou quando chegou ao Brasil, porque era jovem e as garotas “adoravam o gringo”. 


A primeira carona saindo de Belo Horizonte, MG.

Primeiro dia em Tiradentes e o camping pago

Eu estava chegando em Tiradentes sem saber onde exatamente era o camping e sem ter como me comunicar com o amigo que eu precisava encontrar. Mas por sorte eu identifiquei no mapa o lugar onde havia visto que era o camping onde ele estava acampado. Como o camping parecia ser bem na entrada da cidade, mostrei ao boliviano onde queria descer. Desci, mas não sabia se o camping era por ali mesmo ou eu tinha me enganado, então fui a um grupo de estudantes que esperava um ônibus e pedi se alguém podia criar uma rede Wifi pra compartilhar suas 3G comigo. Uma garota se prontificou e criou a rede, mas assim que o fez o ônibus veio e a rede se foi. Mas por sorte o camping era por ali mesmo e o encontrei.


No camping tinha Wifi, então me comuniquei com o Raí, meu amigo cuja barraca estava montada ali ao lado da minha mas estava pela cidade. Mais tarde saí pra dar uma volta e tentar encontrar com ele, mas no caminho encontrei com ele já voltando pro camping. Ok, fui dar uma volta sozinho pela cidade mesmo assim.
Primeiro dia ficamos num camping pago em Tiradentes, MG.

Uma voltinha por Tiradentes e o bate-papo numa lanchonete

Saí perambulando pela cidade de Tiradentes, tanto pelas ruas mais movimentadas e claras do centro quanto as ruas mais vazias e escuras. Até que em uma dessas ruazinhas mais vazias, encontrei uma lanchonete sem freguês algum. Resolvi olhar as opçōes de salgadinhos que vendiam, e quando a dona veio me explicar os valores e sabores, gostei do jeito como ela me explicava e resolvi assentar por ali pra bater um papo, usando o salgadinho como desculpa. Havia um pré-adolescente lá com ela, e foi com ele que eu acabei passando um tempo conversando. “Você conhece algum lugar onde eu possa acampar de graça?”, perguntei. E o garoto me respondeu a Serra de São José, onde já viu gente acampada quando foi lá. E em meio aos seus levantamentos de sobrancelhas, mudanças no tom de voz e outras expressōes faciais (linguagem corporal da galera nessa idade é tão legal!) ele foi me contando que foi lá nessa serra uma vez pra ver a vista que é muito massa, as cachoeiras bonitas e tudo mais. Hunnn, tava me soando uma opção massa de onde acampar. Mas devido ao clima de chuva, acabei desconsiderando essa opção.

Terminei meu lanche e segui minha caminhada conhecendo cidade. Voltei ao camping e passei mais tempo dentro da minha barraca do quê socializando com meu amigo e a galera que estava por lá. 20 reais por noite que a gente dorme aqui, pra mim não fazia sentido algum. Pra outros viajantes - ou tipos de viagem - esse valor deve ser a média ou até barato, mas não pra mim hoje. Não pra o tipo de viajante que eu sou atualmente, sem renda e sem achar necessário maiores infraestruturas pra passar uns dias acampado. 


A lanchonete da Sandra, pessoa que não conhecíamos e com quem pensamos deixar todas as nossas coisas.


Segundo dia em Tiradentes e a ideia de acampar grátis pela cidade

No dia seguinte fui pra cidade com o Raí e o Mateus, um amigo dele que veio aqui vender uns ímãs e umas bijuterias que ele mesmo fez. Aliás, acredito que seja por causa do Mateus que tanto o Raí quanto eu estamos aqui em Tiradentes hoje. Esse final de semana está acontecendo o Festival de Fotografia de Tiradentes, e o Mateus resolver vir pra participar do festival e pra aproveitar e vendar algumas coisas. Acredito que ele tenha convidado o Raí pra vir com ele, e então o Raí me convidou. Todos curtimos a ideia e agora estamos aqui.

Até o final desse meu primeiro dia com eles em Tiradentes, revelei pra eles minha inquietude com o fato de estar vendo 20 reais indo embora diariamente pra poder me acampar. Falei que na noite passada havia andado explorando a cidade e buscando algum lugar gratuito onde acampar. E que tinha essa ideia de talvez pedir à dona da lanchonete onde lanchei na noite anterior, se eu não podia deixar umas coisas lá durante o dia porque minha mochila estava bem pesada. Raí e Mateus acabaram concordando curtindo a ideia e resolveram que devíamos todos buscar algum outro lugar pra acampar. 

Fui com o Raí até a lanchonete, e a mulher estava lá. Sandra, é o nome dela. Apresentei o Raí e comecei a falar da nossa ideia de acampar em algum lugar pela cidade. Mencionei que uma desvantagem de acampar na rua em relação ao camping é que teríamos que ficar carregando nossas mochilas pesadas durante o dia nas nossas caminhadas pela cidade. Ela nem me esperou pedir, e logo ofereceu “Vocês podem deixar a mochila aqui durante o dia se quiserem, eu geralmente abro às 13h e fecho às 22h. Vocês podem pegar ou deixar suas mochilas aqui nesse período, sem problema.”. :)

Apesar da empolgação de todos em economizar todo esse dinheiro (60reais por noite se contarmos nós três! dá pra ficar bêbado e comer coisa boa com essa grana toda por dia! rsrs), a gente acabou deixando pra sair do camping no dia seguinte, sábado.

Terceiro dia em Tiradentes e saímos pela cidade carregando nossas tralhas

Então era sábado de festival, e descemos todos pro centro carregando toda nossa tralha. A mochila mais pesada parecia ser a do Mateus, que levava bijuterias e provavelmente uns alicates e outras ferramentas também. Deixamos nossas coisas todas lá na lanchonete, com toda a hospitalidade da Sandra (que vive em Tiradentes há 2 anos) e o garoto com quem eu havia batido papo e pego todas aquelas dicas já na minha primeira noite na cidade.

Enquanto eles não abriam a lanchonete, nós ficamos sentados com nossas coisas na rua esperando até que eles aparecessem.

Mateus e Raí acabaram decidindo virar aquela noite em festas, já que na noite anterior eles preferiram ficar no camping. Brasileiros e suas espontaneidades(!). Devido ao fato de que na noite anterior eles também demonstraram empolgação em ir acampar pela cidade mas acabaram adiando para o dia seguinte, eu comecei a refletir sobre esse hábito tão comum no Brasil. Brasileiros parecem ter uma certa ideia de “coletividade” ao fazerem suas decisōes antecipadamente. Tendem a pensar mais na(s) outra(s) pessoa(s) do quê neles mesmos. Nesse caso, eles talvez tenham pensado a princípio mais na vantagem que seria pra todos nós se deixássemos de pagar 20 reais por noite pra acampar e acampássemos de graça. Mas posteriormente, na hora de irmos de fato fazer o que planejamos juntos, cada um já pensou por si. Provavelmente se perguntaram “Eu quero mesmo acampar numa noite de sábado de festival na cidade quando várias festas acontecem?”, e então escolheram por si sós que iriam à festa em vez de seguir o que havíamos planejado. (…) Não quero muito me estender nisso, porque devido ao fato de estar escrevendo em português o meu público alvo desse texto acaba sendo brasileiros - que já sabem muito bem da cultura daqui e portanto eu há necessidade de eu “ensinar o padre a rezar a missa”. Foram apenas umas reflexōes que vieram à minha cabeça: espontaneidade, falsas ideias de coletivo e o posicionamento de foda-se o que eu planejei com outras pessoas antes, o que importa é a minha vontade na hora “h”. 

Tomei uma garrafa de Catuaba com os meninos e uns amigos deles na praça de Tiradentes, até que desse a hora deles irem buscar alguma festa. Então todos nos despedimos, e caminhei até a Capela de São Francisco de Paula, no alto de um morro ao lado da rodoviária, no centro de Tiradentes. O Raí havia lembrado de ter visto um gramado grande ao redor dessa igreja quando estávamos buscando onde acampar pela cidade no dia anterior. Montei minha barraca por lá, era por volta da 1h da madrugada. Não tive medo ou receio algum de ser assaltado ou qualquer coisa relativa a isso, provavelmente devido ao fato de eu não ter visto nada que pudesse me deixar receoso durante minhas andanças pela cidade. Eu talvez tivesse apenas um pouco de receio em relação à dormir e ser acordado por alguém me pedindo pra me retirar dali porque provavelmente aquele não era um lugar onde é permitido acampar. Mas de qualquer maneira, fechei a porta da barraca, deitei e dormi quase que de imediato. :)

O lugar era tão tranquilo que eu fui acordar só às 9 da manhã. Tive a sorte de não ter amanhecido com muito sol também, se não o sol me acordaria bem cedo fazendo minha barraca de forno. Ao sair da barraca, notei que a capela estava aberta! Haviam alguns turistas por ali já, e um vigia da capela estava lá sentado à porta. Logo recolhi minha barraca e apesar de eu geralmente não ter interesse algum em conhecer igrejas nem capelas, acabei achando que seria legal conhecer essa. Dei um oi pro vigia que me viu acampando ali, e meu oi foi retribuído com outro oi e um sorriso. Dentro da capela havia algo na parede que falava um pouco da capela e sua história. E li isso “A Congregração desta capela dedica-se em tempo integral ao conforto espiritual e material dos pobres e idosos necessitados em Tiradentes”. HA!

Local público onde acampei sozinho no centro de Tiradentes: Capela São Francisco de Paulo de um lado.

Do outro lado da barraca, a vista era a Serra de São José.


Quarto dia em Tiradentes: caronas dentro da cidade e carona pra fora da cidade

Pela manhã de domingo fiquei caminhando por Tiradentes. Tentei encontrar ou a lanchonete aberta ou os meninos lá pelo centro, mas pela 1h da tarde ainda não havia obtido nenhum sucesso e decidi caminhar por outros lados da cidade. Acabei encontrando onde fica a estação ferroviária de Tiradentes. E me lembrei ter ouvido que havia um camping por aqueles lados da cidade. Achei uma placa dizendo que o camping estava a 2km. Resolvi ir lá, apesar de estar carregando minha mochila com a barraca, saco de dormir e algumas outras coisas dentro. O primeiro carro que vi vindo tive a ideia de levantar o polegar, claro. Porquê caminhar 2km se esse primeiro carro poderia parar pra mim e me levar até lá? E o carro parou.

A mulher que me deu carona me deixou na porta do camping. Caminhei pelo camping e encontrei um amigo do Raí e Mateus que eu havia conhecido na noite anterior. Passei um tempinho lá com eles, até que o dono do camping estava vindo pro centro e deu uma carona pra nós todos na caçamba de uma pickup. 

Almoçamos num restaurante pelo centro, a comida tinha uma cara muito boa e o prato eram só 8 reais. Fomos pra praça, encontramos Raí e Mateus que haviam conseguido uma carona pra voltarem pra Belo Horizonte. Que sorte a deles. :)

Nos despedimos, e fui pra lanchonete aproveitar a Wifi de lá pra poder pesquisar umas coisas na internet e decidir o que fazer, pra onde ir, quando ir, etc. Eis que um cara comentou em um dos meus posts contando que estava em Tiradentes. Disse que mora em Prados, e começamos a nos falar. Então me convidou pra vir a Prados no dia seguinte. Sugeri que eu podia ir naquele dia mesmo já que meu plano até então era só de acampar ao lado da capela essa noite de novo. Ele então pediu pra eu marcar um local, que ele viria me buscar(!).

Uma carona pra cidade vizinha: Prados, MG

Cláudio é o nome dele. Ele me trouxe até uma casa que tem em Prados, me levou a uma padaria, me comprou algumas coisas pra comer e me deixou 20 reais pra eu almoçar em um restaurante próximo à casa amanhã, já que ele não dormirá aqui(!). Achei engraçado ele me perguntar se eu me importaria de passar a noite sozinho na casa, eu ri e o lembrei “Ontem a noite eu tava dormindo sozinho dentro de uma barraca no centro da cidade, tô acostumado.” rsrs

E foi assim que acordei essa manhã: sozinho numa casa sem internet, sem 3G, sem telefone. Se eu visse fantasmas, se um OVNI aparecesse no quintal querendo me raptar, não teria como eu recorrer à ninguém se não fossem vizinhos. Aliás falando em vizinhos, antes do Cláudio partir ele também bateu na casa de um vizinho que mora há umas 4 casas de distância e pediu a senha da Wifi dele pra que eu pudesse usá-la hoje. E é assim que eu consegui estar aqui agora conectado postando essa história pra vocês no mundo das internets!

Quais são meus planos pro futuro, agora? Pesquisar se há algo pra se fazer em Prados ainda hoje ou amanhã, e verificar onde pedir carona pra chegar até São Thomé das Letras, onde preciso encontrar um camping pra no mínimo umas 20 pessoas pro Encontro de Caroneiros de Beira de Estrada que vai acontecer lá no próximo sábado. :)


Yey! Acordei com todos os meus rins no lugar.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Brazilian hitchhiker who has hitchhiked over 12 countries

Brasileiro que viajou por mais de 12 países pedindo carona
- english subtitles available -

sábado, 30 de janeiro de 2016

Where have I been hitchhiking around and what's coming next on my lifting-thumb plans

Soooo my non-Portuguese speaking people, let me drop a line in English here. My brain is getting used to Portuguese again, I'm getting each day better in avoiding English expressions. But what matters for you is hitchhiking, so let me talk about it.

In my last posts in English, I think I was saying goodbye to my hometown. That day I was getting lifts with my family and got to the city of Coronel Fabriciano, where I've spent a few days at my twin's place. No hitchhiking yet, until I went to Ipatinga, where I've been staying since then at a friend called Ana.

Ana is a hitchhiker herself, a quite free and every-time up to an spontaneous adventurous. What a match when we two got together, hun.

On my first weekend at Ana's place, we decided to go out for a little sightseeing during a baking hot Saturday afternoon. We got to a very known park in the city center, where we started to walk around taking random paths and ended up passing under a bridge. That was when I realized we've just passed under a national road.

Wait, what? Where does it take us to? Ana, let's lift our thumb and when a car stops we go with them to a next city and come back later on?

Ana said yes, and there we go. She wore some shorts and shirts that she'd always avoid using when hitchhiking, but well, this time none of us thought we could end up in another city right. It was supposed to be just a walk through a park in Ipatinga, and we found ourselves later overnight in the city of Governador Valadares.

I have some friends in Governador Valadares and one of them named Clarice came to meet us. We had no place to stay that night, so sleeping on the streets just the way we've got to the city was our main option so far. I've talked to Clarice a few days before on the internet, but because she lives with her mother she couldn't have me over. So at any point I've considered she could be our host for that night (because if she couldn't host 1, imagine 2).

But, after meeting us and knowing, Clarice said she wouldn't let us sleep on the streets. So that night was full of beers in a bars, chattings and sleepings on a unexpected bed. For one night only, Clarice's mom would probably not mind having 2 homeless friends over. :)

And she didn't. Next day we had lunch with Clarice and her mother, and in the afternoon another friend came to pick us up. This other friend took us around Governador Valadares for a little sightseeing in a local park (just like it all started - with a sightseeing in a park, how ironic! -) before we hit the road to go back to Ipatinga.

We were there trying to get our first ride that day, and I saw a sign signalising that the other side of the road could take us to two different states. I've then suggested Ana that we should try to hitchhike in that side of the road.

Ana did like my idea, but she said we better don't make our way back even farther given the fact that we didn't bring any extra clothes, any water, any sunscreen, and any stuff for our personal hygiene. So we chose to stick to the idea of hitchhiking back to Ipatinga and maybe coming back to Governador Valadares in a few days, but now a bit more prepared for staying a couple of days.

But that isn't gonna work since we got back to Ipatinga and Ana again said yes right away when I suggested we should visit another city called Caratinga. And in Caratinga is where we are right now. Well, that is, until tomorrow at least. Because I suggested Ana we should hitchhike this weekend to the capital, Belo Horizonte, and guess what was her answer. We're departing tomorrow.

300km to go, and see you in the carnival of Belo Horizonte! Will be there until the weekend, when my brain switches back to English with the arrival of a Danish friend coming all the way from the city of Svendborg!